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"Poder e Dinheiro", livro com a visão do Papa sobre economia e finanças - 13/04/2018
A denúncia das contradições do mundo globalizado, mas também a confiança na possibilidade de um mundo mais humano. É o que trata o livro de Michele Zanzucchi, nas livrarias italianas a partir de 12 de abril. O autor sublinhas que o olhar do Papa sobre a economia parte dos pobres, que estão no coração do Eavangelho.
Espero que esta síntese dos meus pensamentos sobre o poder da economia e das finanças, "possa ser útil para conscientizar e responsabilizar, favorecendo processos de justiça e equidade".
É o que escreve o Papa Francisco no extenso prefácio do livro "Poder e dinheiro – a justiça social segundo Bergoglio", que estará nas livrarias italianas a partir desta quinta-feira, 12 de abril, editado pela Cidade Nova.
O autor é Michele Zanzucchi, jornalista e escritor, que há alguns anos vive no Líbano. Editorialista do "Avvenire" [jornal dos bispos italianos], ensina Jornalismo e Linguagem do Jornalismo na Pontifícia Universidade Gregoriana e Massmediologia no Instituto Universitário Sophia, de Loppiano.
A atenção do Papa ao tema da economia
"Primeiro como um simples cristão, depois como religioso e sacerdote, e então como Papa, considero que as questões sociais e econômicas não podem ser estranhas à mensagem do Evangelho. Por isso, na esteira de meus predecessores, procuro colocar-me na escuta dos atores presentes no cenário mundial, dando voz, em particular, aos pobres, aos descartados, aos que sofrem".
O Papa Francisco explica com estas palavras no prefácio do livro, sua atenção por uma realidade vital para toda sociedade como a economia, e sobre ela destaca uma forte ambivalência: aumento do bem-estar de um lado, exploração e desigualdade do outro.
Nosso mundo é capaz do melhor e do pior
Francisco fala dos contrastes entre grandes riquezas e grandes pobrezas que ele pode observar: "Eu vi - escreve - o paradoxo de uma economia globalizada que poderia alimentar, tratar e acomodar todas as pessoas que povoam nossa casa comum, mas que concentra nas mãos de muito poucas pessoas a mesma riqueza que é a prerrogativa de cerca de metade da população mundial".
O não do Papa ao atual paradigma tecnocrático
E Francisco aponta o dedo, em particular, para o sistema financeiro e as empresas multinacionais que condicionam as economias locais.
"A Igreja - escreve - não pode permanecer em silêncio diante da injustiça e do sofrimento" e quer colaborar com os homens e mulheres que "pacificamente" dizem não à injustiça.
É possível mudar, escreve: “O Evangelho não é uma utopia, mas uma esperança real, também para a economia”, sublinhando o dever de denunciar "com o Evangelho na mão, os pecados pessoais e sociais cometidos contra Deus e contra o seu próximo em nome o deus dinheiro e do poder ".
"Não podemos deixar de acreditar que com a ajuda de Deus, e juntos, podemos mudar o nosso mundo e reanimar a esperança, talvez a mais preciosa virtude hoje".
O exército do bem: o amor torna ativo
Mas o que devemos fazer – pergunta-se o Papa - por uma maior equidade no mundo?
E sua resposta é expressa em poucas palavras-chave: cultura da valorização, sobretudo dos recursos humanos; tomada de consciência da complexidade dos problemas; mas também a capacidade de renegar, porque existem "nãos a serem ditos".
Destacando o que já existe de bom, Francisco continua: "Tantíssimos, tantos homens e mulheres de todas as idades e latitudes já estão “alistados” em um desarmado “exército do bem”, o bem que não é quietismo e não leva a ser submisso".
E lembrando a Assembleia da Igreja latino-americana de Aparecida, cita o método proposto aos cristãos para a vida social: ver, julgar e agir.
Para concluir: "Se estamos juntos, unidos em seu nome, o Senhor está no meio de nós segundo a sua promessa, portanto, está conosco também no meio do mundo, nas fábricas, nas empresas e nos bancos, como em casas, nas favelas e nos campos de refugiados. Nós podemos, devemos ter esperança”
Um livro que recolhe as denúncias do Papa
Em "Poder e dinheiro", Michele Zanzucchi oferece uma coletânea pensada e fluída sobre o que o Papa disse e escreveu até agora sobre riqueza e pobreza, justiça e injustiça social, cuidados e desprezo da criação, finança sã e perversa, culto ao deus dinheiro, e ainda sindicatos e movimentos populares.
O que emerge é uma forte denúncia do poder da tecnocracia e da especulação financeira, que acentua o abismo entre ricos e pobres, da globalização que cria descartes e novas formas de escravidão, do comércio de armas que fomenta as guerras.
Francisco parte dos pobres e do Evangelho
Ao Vatican News, o autor ressalta que "o pensamento do Papa é altamente teológico e altamente humanitário" e dele explica a atitude de fundo: "O Papa tem uma atitude extremamente evangélica sobre a questão: parte dos pobres, não pela palavra, hipóteses, nem mesmo de visões - poderíamos dizer - ideológicas que vêm de outros horizontes. Ele parte dos pobres, da necessidade de justiça, de Jesus que ajudou os pobres e qualquer um que passava por necessidades. Ele vivia com eles e era um deles. Isso é o principal: ele era um deles e, a partir disso, ele também fez uma releitura da atualidade".
Viver as Bem-aventuranças para mudar o mundo
Com relação, depois, ao convite para não perder a esperança e a agir, para 'fazer alguma coisa' para mudar a situação, Zanzucchi observa: "Ao ler e sistematizar os escritos do Papa, eu percebi que a sua atenção ao ambiente econômico, social, aos pobres, era sempre em função de algum passo propositivo.
Cada discurso seu sempre tem um elemento para sair da situação atual, para tornar o mundo mais humano, para fazer com que a economia não esteja à mercê dos tecnocratas, mas a serviço do homem.
Por isso, dá indicações muito precisas; indicações sobre a capacidade da sociedade de criar lugares de confiança onde se possa desenvolver realmente a dimensão econômica positiva do homem. São sugestões baseadas substancialmente nas Bem-aventuranças, que estão, certamente, entre as diretrizes deste Papa".
Fonte: Rádio Vaticano

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