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Papa Francisco, como entendê-lo?

Papa Francisco encaixa-se na história da Igreja como um papa reformador. Seu modo de exercer o ministério petrino tem fôlego na busca incansável por encarnar a Igreja no mundo de hoje, sem que a mundanidade se encarne na Igreja. A experiência pastoral que o fincou no cotidiano das periferias de Buenos Aires é instância decisiva à compreensão do seu tipo humano e das expressões que o movem no governo da Igreja e no contato com as pessoas. Tal comportamento é sinal da lúcida consciência eclesial que o impele a prosseguir com as propostas do Concílio Vaticano II (1962 – 1965).

É certo que vivemos tempo de crise multifacetada. Na travessia das crises se deram eventos importantes na história da Igreja. Papas considerados reformadores, como Gregório VII (1073-1085), Inocêncio III (1198-1216), Bonifácio VIII (1294-1303), dentre tantos outros, foram agentes eclesiais em momentos cruciais do percorrer histórico. Considerando a realidade vivida, buscaram os meios a seu dispor para garantir à Igreja o prosseguimento de sua missão.

Francisco inscreve-se entre as fileiras dos papas empenhados na busca por fazer a Igreja eloquente a cada época. Assim sendo, a reforma franciscana toca diversos níveis da vida eclesial, desde a estrutura da cúria romana, passando por aspectos da legislação canônica vigente, até as medidas concretas com vista à maior solicitude com os pobres e com o drama da vida humana hoje. Essencialmente, Francisco traz à baila temas outrora latentes, mas não tão evidentes. Além disso, está inserido na continuidade dos pontificados anteriores, no duplo movimento de continuidade-ruptura, típico a todo tipo de reforma.

Como se deu no passado, o presente não é diferente. Papas que viveram em tempos agitados por crise foram alvo de críticas, incompreensões e interpretações errôneas. Constatamos isso também hoje. Setores intra e extra eclesiais insistem na tentativa de fazer Francisco um homem controverso. Sob o sol da Palestina Fariseus e Saduceus tentaram fazer o mesmo com Jesus. Nas pegadas de Jesus, Verbo de Deus Encarnado, Papa Francisco chama-nos ao regresso às fontes da fé, que tem no Evangelho o manancial inexaurível a ditar caminho seguro rumo à verdade que transforma a vida e o mundo.

Como entender Papa Francisco? Sua compreensão para por nossos critérios de entender a Igreja. A Igreja não é museu; a Igreja não é filantropia; a Igreja não é grupo social disposto à acolhida de contingentes selecionados... O que a Igreja é? A Igreja é Povo de Deus congregado na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (São Cipriano, Tratado sobre a Oração do Senhor, nº 23). Povo de Deus constituído pela graça batismal e organizado hierarquicamente, segundo carismas e ministérios, dons do Espírito. Se assim é, para entender Francisco é necessário concebê-lo como Papa e não como líder de uma “multinacional” destinada à oferta da religião como produto mercantil.

O “milagre” de Francisco não são as atitudes aparentemente originais do seu comportamento. O “milagre” de Francisco é a força que seu exemplo tem de gerar em nós o desejo por ser Igreja segundo o sentir e o agir de Jesus.

Dezembro 2016.

Pe. Alfredo Rafael Belinato Barreto
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