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MARIA: A PERFEITA DISCÍPULA DO SENHOR

O Evangelho de Lucas tem um olhar especial para com Maria. Enquanto o evangelista Mateus só fala dela, ou seja, sempre em terceira pessoa e Maria é uma personalidade muda, em Lucas Maria ocupa um espaço privilegiado. Principalmente nos dois primeiros capítulos, chamados de narrativas da infância. Mas diferentemente de nós, que somos atraídos a Maria pela sua maternidade biológica de Jesus, Lucas valoriza em Maria o discipulado.

Lucas nos apresenta Jesus sempre em movimento. Chamando e enviando. A Boa Notícia do Reino de Deus, o Evangelho, deve chegar a todos. No capítulo 5, Ele chama os 12 apóstolos. No capítulo 10, designou outros 72 missionários. A partir de 9,51, Jesus começa sua longa caminhada para Jerusalém. Nela, encontra-se com as mais variadas pessoas. As que acolhem seu convite vão se transformando em discípulas. Não importa a vida anterior, sexo, posição social, profissão. Importa acolher e aceitar o convite de Jesus. Assim, homens e mulheres, cobradores de impostos, prostitutas, pescadores, agricultores, artesãos, pessoas comuns e anônimas vão transformando suas vidas.

Mas como é o discípulo de Jesus? Lucas nos indica com clareza. Após contar a parábola do semeador para a multidão (Lc 8,5-8) e explicá-la para seus discípulos (Lc 8,9-14), Jesus conclui: "A que cai em terra fértil são os que com excelente disposição escutam a palavra, a retém e dão frutos com perseverança" (Lc 8,15 - tradução da Bíblia do Peregrino). As condições básicas para ser discípulo ou discípula de Jesus são então: uma boa disposição para escutar a palavra; retê-la, meditá-la, refletir sobre ela, ou seja, buscar assimilá-la; e dar frutos, sendo perseverante.

Foi justamente este "molde" que Lucas usou para nos apresentar Maria. Embora estas três características estejam interligadas, encontramos de modo salientado cada uma delas em momentos especiais da apresentação que o evangelista faz de Maria.

Na chamada "anunciação do anjo" (Lc 1,26-38), Maria mostra-se atenta e disponível a escutar e acolher a Palavra: "Que sua palavra se cumpra em mim" (Lc 1,38b). Esta disposição fica ainda mais evidente quando comparada com o seu paralelo no capítulo primeiro que é a dúvida de Zacarias, razão de sua mudez. Também o testemunho de Isabel: "Feliz és tu que creste, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou" (Lc 1,45).

Reter a palavra, ou seja, meditá-la, guardá-la, rememorá-la é uma atitude básica no judaísmo. Re-viver ou "re-cordar", isto é, trazer de volta ao coração é a base da espiritualidade humana. Uma vida saudável exige um "espaço" interior: tempo e silêncio para encontrar sentido para a existência. Algo que falta em nosso tempo, vivido no excesso do ruído, da informação e da pouca interiorização. Lucas afirma que Maria guardava tudo em seu coração e nele meditava: "Maria, porém, conservava isso e meditava tudo em seu íntimo" (Lc 2,19); "Sua mãe guardava tudo isso em seu íntimo" (Lc 2,51).

Maria, tão logo soube da gravidez de sua prima Isabel, vai até ela e com ela permanece por três meses. Poderíamos imaginar que Maria ajuda Isabel em sua gravidez senil, embora o evangelho não diga exatamente isto. Em todo caso, Maria leva já em seu ventre Jesus a Isabel. O evangelista descreveu este encontro poeticamente em Lc 1,42-45. Maria é a primeira discípula cristã evangelizadora.

Maria é a discípula ideal de Jesus. Ela soube escutar, reter a palavra e dar frutos. O próprio Senhor deu este testemunho. Logo após ter contado a parábola do semeador e a ter explicado, chegaram sua mãe e seus irmãos. Quando avisado de sua presença, Jesus respondeu: "Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a palavra de Deus e a cumprem" (Lc 8,21). Se esta afirmação apareceu em Marcos (3,31-35) em um contexto negativo e em Mateus (12,46-50) em um contexto neutro, aqui em Lucas é uma afirmação que reconhece a fidelidade da mãe e dos familiares. O contexto é altamente positivo. Sua mãe e irmãos ouvem a palavra e a cumprem!

Maria não se apegou ao privilégio de sua maternidade biológica, mas fez a caminhada do discipulado. Soube melhor que ninguém escutar, reter a palavra e colocá-la em prática (dar bons frutos). É por isso que Lucas não titubeou em apresentá-la no Magnificat proclamando: "daqui para frente me felicitarão todas as gerações" (Lc 1,48).

Pe. Luiz Antonio Belini

Pe. Luiz Antônio Belini - labelini2016@gmail.com
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