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O Ano Pastoral como parte do processo de formação inicial ao sacerdócio

Estimados leitores do Jornal Servindo, continuando nossas reflexões a respeito da formação inicial ao sacerdócio, gostaria de tratar nesta edição a respeito do chamado ano pastoral, previsto nos documentos da formação, e que não fora mencionado no ciclo de artigos sobre as etapas da formação.

De março a junho, e de agosto a novembro, sábados e domingos contam mais ou menos 64 dias. Acrescentando a esse número mais duas semanas de missões realizadas em julho e dezembro, chega-se à conclusão de que a pastoral acompanhada dos seminaristas tem duração de cerca de 79 dias por ano. A pergunta que decorre disso é a seguinte: em comparação com a carga horária teórica, isso é minimamente suficiente para quem dedicará a vida na pastoral em nome de Jesus, bom pastor?

A partir dessa consideração podemos compreender por que o Concílio Vaticano II deixou aberta a possibilidade de uma “interrupção dos estudos” para ter um espaço de discernimento vocacional em um ambiente distinto do seminário, e para desenvolver uma experiência pastoral de maneira mais sistemática e coerente, que não se reduza aos finais de semana (cf. OT, n. 12).

A Ratio Fundamentalis de 1970 não falava estritamente de interrupção de estudos, mas sim de uma interrupção na estadia no seminário, tempo no qual o seminarista ajuda no ministério pastoral, conhecendo as pessoas, seus problemas e dificuldades nos quais haverá de trabalhar (RF, n. 42). A atual Ratio Fundamentalis, de 2016, afirma que etapa pastoral medeia a estadia no seminário e a sucessiva ordenação presbiteral, tendo duas finalidades: a inserção na vida pastoral com gradual assunção de responsabilidades em espírito de serviço, e o esforço no sentido de uma adequada preparação ao presbiterado, recebendo um específico acompanhamento (cf. RF, 2016, n. 74).

Também o departamento de vocações e ministérios do conselho episcopal para a américa latina (CELAM) define o ano pastoral como um período de tempo no qual o seminarista, seguindo as orientações da formação, vai viver em uma paróquia, acompanhado pelos formadores e por uma equipe de padres no decanato, e diretamente na paróquia pelo pároco e vigário (cf. Boletim da OSLAM, 1999, n. 35). Do mesmo modo as Diretrizes Gerais da formação dos presbíteros no Brasil define a formação inicial contemplando o período pastoral-missionário (cf. Doc. 93, n. 207).

O objetivo geral deste chamado ano pastoral é oferecer aos candidatos um espaço de preparação prática e sistemática no campo da ação pastoral, de tal maneira que os avanços nos estudos filosóficos e teológicos, no crescimento da vida espiritual e nas conquistas humanas sejam colocados a serviço da comunidade cristã, como expressão de uma autêntica caridade pastoral.

Dentre os objetivos específicos, pode-se dizer que está o desejo da Igreja em colaborar no ministério pastoral dos futuros presbíteros em suas dimensões profética, litúrgica e caritativa, a fim de exercitarem-se no cumprimento de sua missão. Também está a vontade de oportunizar um conhecimento mais próximo da realidade sociocultural e da vida da igreja particular, identificando as luzes e as sombras das comunidades onde vai se exercer o ministério presbiteral. Se pretende ainda, manter uma comunicação mais próxima do candidato com o bispo, o presbitério, os religiosos e os leigos.

O enfoque formativo dado pela Igreja a esta etapa é a vivência da caridade pastoral como expressão do seguimento de Jesus Cristo, bom pastor. A fonte interior do compromisso pastoral é a comunicação cada vez mais íntima e profunda com a caridade pastoral de Jesus, a qual foi o princípio e força de sua ação salvífica. Essa mesma caridade pastoral, graças a efusão do Espírito Santo no Sacramento da Ordem, é o princípio e força do ministério do presbítero (cf. PDV, n. 57).

Para que estes objetivos sejam alcançados alguns critérios devem ser levados em conta para a aplicação de um período pastoral nas igrejas particulares, e este será o tema do artigo para o próximo mês.

Que o bondoso Deus nos abençoe e que o Ressuscitado seja o centro de nossa vida e ministério.

Pe. Willian Oliveira Lopes

Seminário N.S Guadalupe

Maringá

Pe. Willian Oliveira Lopes - wlopes_dcm@hotmail.com
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