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O tempo da Quaresma

Encontramos as primeiras referências a um período pré-pascal, no Oriente, no princípio do século IV e, no Ocidente, no final do século IV. Mas em meados do século II, aproximadamente, já se vinha afirmando uma preparação para a páscoa por meio da prática penitencial do jejum. A estrutura da Quaresma é a de um período de quarenta dias considerados, à luz do simbolismo bíblico, que dá a esse tempo um valor salvífico-redentor.

A atual Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e encerra-se na missa da ceia do Senhor da quinta-feira santa. A celebração litúrgica desse tempo acentua principalmente o domingo. Nos cinco domingos que precedem o domingo de ramos, o lecionário dominical oferece a possibilidade de três itinerários diversos e, ao mesmo tempo, complementares: um itinerário batismal (ciclo A); um itinerário cristológico-pascal (ciclo B); um itinerário penitencial (ciclo C).

O ciclo A, de caráter batismal, pode ser seguido a cada ano segundo as exigências pastorais de cada comunidade. Nesses domingos do ciclo A, somos chamados a descobrir e a reviver nosso batismo e nossa condição de batizados. No ciclo B, o itinerário cristocêntrico-pascal leva-nos a concentrar-nos na Páscoa de Cristo; no ciclo C, o itinerário penitencial constitui uma profunda catequese sobre a reconciliação, com o vértice na celebração da Páscoa, supremo sinal de nossa reconciliação com o Pai. Batismo e penitência aparecem assim como as duas constantes sobre as quais se percorre o caminho quaresmal com vistas à plena reconciliação do ser humano com Deus.

O significado e o conteúdo da Quaresma acham-se expostos de forma sintética e esclarecem no primeiro prefácio de Quaresma do Missal Romano: Concedes a teus filhos ansiar, ano após ano, com o prazer de ter-nos purificado, pela solenidade da Páscoa, a fim de que, dedicados com maior entrega ao louvor divino e ao amor fraterno, pela celebração dos mistérios que nos deram a vida, cheguemos a ser em plenitude filhos teus.

A oração coleta do primeiro domingo da Quaresma fala da celebração quaresmal como de um “sacramento”, ou seja, de um “sinal sagrado”, o que significa que tudo o que faz parte da instituição quaresmal – gestos e palavras – é uma realidade unitária e significativa. A Quaresma, no conjunto de palavras que anunciam os acontecimentos da salvação, orações, ritos e práticas ascéticas, é um grande sinal sacramental, por meio do qual a Igreja participa do mistério de Cristo, que realiza por nós a experiência do deserto, jejua, vence a tentação e opta pelo caminho do messianismo do servo humilde e sofredor até a cruz.

No que diz respeito à teologia e à espiritualidade da Quaresma, temos de dizer que esse tempo litúrgico nos permite ter uma experiência mais vivida da participação no mistério pascal de Cristo: ”participamos de seus sofrimentos para participar também de sua glória” (Rm 8,17). Ao mesmo tempo, não podemos esquecer o caráter eclesial da Quaresma, na medida em que é o tempo da grande convocação de todo o povo de Deus para que se deixe purificar e santificar por seu Salvador e Senhor. Nasce dessa riqueza teológica uma típica espiritualidade pascal e batismal, penitencial e eclesial.

Queridos amigos apaixonados pela liturgia, vivamos intensamente cada momento das celebrações deste tempo favorável, para que tenhamos uma feliz e santa Páscoa!

Lilian Hanel
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