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Liturgia da Palavra III – Implicações Teológicas e Pastorais

“A liturgia da palavra é parte integrante das celebrações sacramentais. Para alimentar a fé dos fiéis, os sinais da Palavra de Deus precisam ser valorizados: o livro da palavra (lecionário ou evangeliário), sua veneração (procissão, incenso, luz), o lugar de onde é anunciado (ambão), sua leitura audível e inteligível, a homilia do ministro que prolonga sua proclamação, as respostas da assembleia (aclamações, salmos de meditação, ladainhas, profissão de fé...)” (CIgC, n. 1154).

Na Palavra celebrada é Deus que fala ao seu povo, quando se tem consciência dessa proximidade de Deus, a Palavra alcança seu devido valor. Neste espírito iniciamos um caminho que culminará no encontro entre o fiel e Palavra proclamada – o texto não se altera, mas é capaz de modificar/transformar a pessoa que tornar-se-á edificada e logo, testemunha da verdade de Cristo no seio da comunidade.

Ao falarmos da importância da Palavra no ato litúrgico, devemos fazer memória ao trecho da escritura que narra o momento em que Jesus leu as Escrituras na Sinagoga (cf. Lc 4,16-21). Os judeus iam à Sinagoga para ouvir trechos da Escritura Sagrada (da lei e dos profetas). Jesus se coloca frente a assembleia, toma o rolo onde continha o livro de Isaias e lê em alta voz. Tal assembleia é privilegiada assim como diz Orígenes: “Bem-aventurada assembleia, aquela da qual a Escritura testemunha que “os olhos de todos estavam fixos nele”. Diante dessa passagem Jesus inicia o seu ministério – e esse início se dá num ato de culto/ação litúrgica. Três elementos fundamentais aparecem na liturgia judaica: há uma comunidade reunida; o livro das escrituras; o leitor que proclama. É necessariamente o caminho feito pela da liturgia cristã originado na Sinagoga.

Nesse caminho, para encontrarmo-nos mais perfeitamente com Cristo e revestirmos de sua Palavra e testemunho, observemos alguns pontos importantes:

1. Nos livros litúrgicos encontram-se forte e significativo sentido, onde deve ser venerado, devido à força da mensagem contida nele – Jesus na Sinagoga “toma o livro das Escrituras” – os livros das Escrituras estão divididos dentro do ato litúrgico por meio dos lecionários, sendo o Dominical que em cada domingo possui três leituras: Antigo Testamento, apostólica e evangélica. Do terceiro domingo do Tempo Comum começa a leitura semicontínua dos Evangelhos sinóticos: Mateus (Ano A) e Lucas (Ano C). No Ano B por causa da brevidade do Evangelho de Marcos, são intercalados, depois do XVI domingo, cinco leituras do capítulo 6 de João. O Lecionário Semanal (ferial), é dividido em dois anos (Par/Impar), mas o Evangelho é sempre igual. A primeira leitura lê às vezes do Antigo Testamento e às vezes do Novo Testamento (entendamos, pois, que essa alternância já está estabelecida no lecionário), em períodos alternados de algumas semanas, de acordo com o tamanho do livro. Para os Evangelhos a ordem adotada prevê que se leiam primeiro Marcos (semanas I-IX); Mateus (semanas X-XXI) e Lucas (semanas XXII-XXXIV). O Lecionário para missa dos Santos (santoral), contém as leituras para celebrações da Virgem Maria, Mártires e outros santos – dentre as sugestões de leitura escolhe-se as mais oportunas. Também há o Evangeliário, contém os Evangelhos do Dominical, e é guardada devida reverência a ele, em virtude do próprio Cristo Verbo encarnado que proclama a Boa-nova.

2. Quanto aos leitores, deve-se entender que é um ministério/serviço. É necessária uma preparação espiritual e moral, bem como, técnica. Aprofundando-se no estudo das Escrituras, no cuidado com os livros, em proclamar dignamente e claramente a palavra de Deus, entre outros aspectos. Atualmente, encontramos grande dificuldade em nossas celebrações litúrgicas, com leituras mal lidas, consequências da falta de preparo. Daí tanto, a necessidade da formação de leitores, como também, a preparação das celebrações, na qual recomenda-se ser conduzida pelo sacerdote e as equipes de celebração. Isso tudo, para harmonizar o que vai ser celebrado, colocando os diversos ministérios em sintonia. Aos leitores vale observar o que fora recomendado anteriormente – valorizar os livros litúrgicos e deixar de lado os folhetos, que são somente subsídios para auxiliar na preparação das celebrações.

Seminarista Wesley de Almeida dos Santos - wesley-almeidacm@hotmail.com
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