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Liturgia da Palavra II - O silêncio sagrado

Estimados leitores, seguindo as reflexões acerca da Liturgia da palavra, quero destacar neste mês, a importância do silêncio sagrado, para a recepção da Palavra de Deus, neste momento da Celebração Eucarística.

Romano Guardini, escreve: “Se alguém me perguntasse onde começa a vida litúrgica, eu responderia: com o APRENDIZADO do SILÊNCIO. Quando ele falta fica sem seriedade e permanece vão...”. O Concílio Vaticano II (CVII), buscou redescobrir essa dimensão importante, que é uma ferramenta indispensável para nos conduzir para dentro do mistério celebrado. Diante de um mundo que “grita desesperado”, as consequências do tempo presente, assim sendo, a nós é dado esta tarefa de – calar-se – para ouvir a voz de Deus. E isso se faz necessário para o cultivo da vida interior, onde, no silêncio do nosso coração, encontramos Deus operando sua obra por meio do Espírito Santo.

Conforme o CVII, ao referir-se ao silêncio, parte da centralidade da reforma, é propiciar a participação ativa dos fiéis na liturgia. No entanto, para que possamos promover essa participação ativa “vejam-se com cuidado as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cantos, bem como, as ações ou gestos e a atitude do corpo. Observe-se também, no tempo devido no sagrado silêncio (Sacrosanctum Concilium «SC», 30). Este, que na liturgia da Palavra deve favorecer a meditação, evitando qualquer “desespero” que impeça o recolhimento (Instrução Geral do Missa Romano «IGMR», 56).

Há diversas tipologias do silêncio litúrgico: silêncio de recolhimento, de assimilação, de meditação e de adoração. O que mais nos é relevante neste momento é o de meditação, que é uma resposta à Palavra proclamada. Somos convidados a “meditar brevemente o que se escutou” (IGMR, 23). Tudo isso, nos favorece uma eficaz compreensão da Palavra, possibilitando uma acolhida em nossos corações à ressonância do Espírito Santo.

Às vezes, torna-se confusa a terminologia silêncio em nossas comunidades. Deixo claro que, a partir dos estudos acerca desse tema – quando falamos em silêncio sagrado, ele não deve ser visto de maneira absolutizada, como uma mágica que basta em si mesmo, mas, deve ter um caráter participativo, ou seja, a condição espiritual para levar o fiel a uma inserção no mistério celebrado (Mistagogia); ser um silêncio expressivo, pela qual a integração comunitária favoreça profunda reverência à palavra; e também, o silêncio pedagógico, que segundo Dionísio Aeropagita, – cria em nós, o clima e as atitudes espirituais necessárias à experiência litúrgica.

Quando optamos por valorizar o silêncio na liturgia, é sinal de maturidade celebrativa. No caso da Liturgia da Palavra, se “amontoarmos” as leituras destoando-se de um ritmo, sem pausas, torna-se um rito cansativo, incompreensível e que não edificará a assembleia.

Assim sendo, concluo com uma reflexão de Dom Bugnini: “TibiSilentium Laus – Para você, o silêncio é louvor. Não mais sejamos expectadores inertes e mudos, porém, participantes ativos, conscientes e orantes, que sabem inebriar-se e viver o mistério com a oração, com o canto, com a ação, com o silêncio de espera ansiosa e de adoração. Silêncio que não é indício de mutismo espiritual; pelo contrário, é momento vivificante de graça, em que a criatura se cala, mas o Espírito fala”.

Março de 2017

Seminarista Wesley de Almeida dos Santos - wesley-almeidacm@hotmail.com
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