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2017 - Um ano nacional mariano

A história começou quando em 1717, três pescadores saíram para pescar no rio Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo. Era uma época de escassez de peixes e eles estavam pressionados. Em suas redes vieram, inicialmente, não peixes, mas o corpo e a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. O encontro desta imagem mudou suas vidas e a história da fé cristã em nosso país. A própria imagem de Nossa Senhora da Conceição ganhou uma nova identidade, a do povo pobre e simples em um Brasil escravocrata. É uma imagem de Nossa Senhora negra. E mais do que ser "da Conceição", para o povo brasileiro se tornou "de Aparecida", porque "apareceu" em seu favor e defesa.

Ao comemorarmos agora os 300 anos desse encontro, queremos fazer deste Ano Jubilar um tempo de memória e celebração. Um tempo de bênçãos e evangelização. Um tempo de libertação e construção de uma pátria mais justa e pacífica. De vivência de nossa devoção mariana no espírito de Jo 2,5: "Fazei o que Ele vos disser". É com este objetivo que inicio uma série de artigos marianos que serão publicados ao longo deste ano.

Dificilmente um brasileiro adulto, católico, não seja capaz de reconhecer uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em geral, temos réplicas em nossas casas e em objetos de adornos pessoais. A imagem ou estátua é como uma pintura ou fotografia, representa alguém. Não tem existência própria, independente do representado. Quando em âmbito religioso a representação se desvincula do representado e adquire expressão própria torna-se o que chamamos de amuleto e, então, pode-se cair na idolatria. Em outras palavras, a imagem ou um objeto qualquer adquire uma "força" própria, independente do que representa. Isso significa que não podemos desvincular a imagem de sua história e, por fim, não podemos desvincular a imagem com sua história da fonte da representação, ou seja, de Maria de Nazaré.

E o que ou quem é representado pela imagem de Nossa Senhora Aparecida? A imagem de Nossa Senhora Aparecida representa imediatamente toda a história de intervenções em favor de pessoas escravas, pobres, enfermas ou simplesmente aflitas. Pessoas que pediram a intercessão da Mãe de Deus, ou seja, daquela que foi escolhida e deu seu sim para a encarnação do Filho (Gl 4,4). A imagem de Nossa Senhora Aparecida representa aquela mulher que sendo mãe de Jesus, foi também sua primeira e mais fiel discípula. Aquela mulher que encontramos em seu nascimento (Lc 1,18-25) e aos pés da cruz (Jo 19,25). Aquela mulher que soube guardar e meditar tudo o que vivenciava em seu coração (Lc 2,19.51). Mulher que encontramos animando os apóstolos na missão que começavam (At 1,14).

Costumamos chamar o discurso teológico acerca de Maria de mariologia (alguns preferem marialogia). Como a teologia católica em geral, a mariologia recebeu um grande impulso dos movimentos teológicos (sobretudo bíblico, patrístico e litúrgico) que possibilitaram a renovação trazida pelo Concílio Vaticano II (1962-65). Um dos eixos dessa renovação foi uma volta às fontes, sobretudo às Sagradas Escrituras, entendidas como a alma de toda teologia (Dei Verbum 24). Assim, nossa devoção e nosso discurso sobre Nossa Senhora Aparecida tem seu fundamento último na Bíblia, especificamente no Novo Testamento, onde nos deparamos com a mãe de Jesus, Maria de Nazaré. É uma aventura emocionante percorrê-lo sempre de novo. É o que faremos ao longo deste ano mariano. Encontraremo-nos com aquela que diante do mistério foi capaz de entregar-se por inteira: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38).

Pe. Luiz Antônio Belini - labelini2016@gmail.com
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