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O ano em que vivemos em perigo...

Seria ingênuo querer fazer, nestas poucas linhas, uma análise da interminável e indecifrável crise brasileira, especialmente acentuada na incerteza deste ano que chega ao fim... Mas uma certeza aflora: a rejeição do tipo de Brasil até agora construído, da política corrupta feita por parlamentares em proveito próprio, interessados mais em seus negócios do que no destino do povo brasileiro, protegidos pelo “desaforo privilegiado”, da democracia de costas para o povo... Com os personagens que estão aí na cena política, grande parte acusada de corrupção ou feita réu ou condenada, podemos esperar reformas estruturais essenciais?

Clareando um pouco a história com Darcy Ribeiro num texto de 1998: "Nós brasileiros surgimos de um empreendimento colonial que não tinha nenhum propósito de fundar um povo. Queria tão somente gerar lucros empresariais exportáveis com pródigo desgaste de gentes”. Este empreendimento se radicalizou no Brasil e chegamos à pior crise dos últimos 120 anos na história do país, como foi a crise na primeira guerra mundial, a crise da dívida externa nos anos 80, o período do governo Collor. No momento atual temos problemas de insolvência, de má distribuição de rendas, de corrupção generalizada em todos os setores públicos desvelada constantemente pelo Ministério Público de um lado e as artimanhas políticas para escaparem do tsumani da lava a jato e se manterem no poder, do outro...

2016 ficará em nossa memória como o ano em que vivemos constantemente em perigo de perder a Fé e a Esperança no futuro do país, em que brasileiros foram colocados em confronto devido opiniões, partidos políticos contrários, enquanto os mesmos políticos que nos dividem se unem para sobreviver e não afundarem nesse lamaçal de corrupção... Parece que chegamos ao fundo do poço...

"Quando se chega ao fim, lá onde acabam os caminhos, é porque chegou a hora de inventar outros rumos; é hora de outra procura; é hora de o Brasil se refundar; a refundação é o caminho novo e, de todos os possíveis, é aquele que mais vale a pena, já que é próprio do ser humano não economizar sonhos e esperanças; o Brasil foi fundado como empresa. É hora de se refundar como sociedade” (contra-capa). Luiz Gonzaga de Souza Lima "A refundação do Brasil: rumo à sociedade biocentrada (São Carlos 2011): Essa hora chegou.

Projetos polêmicos e impopulares estão sendo votados sob protestos na Câmara, no Senado, nas Assembleias Estaduais justificados pelo “é o que o país precisa”, uma vez que nos últimos anos foram superestimadas receitas e acrescentadas despesas além orçamento. O limite de gastos visando “arrumar a casa” proposto pela PEC 55 (antiga 241) é insustentável para a oposição e visa manter um Estado que tira riqueza de quem não tem para financiar quem não precisa. Precisamos clarear sobre o processo de financeirização do mundo e do Brasil, sobre as verdadeiras causas do desequilíbrio das contas públicas (entre elas os juros mais altos do mundo...) e de quem deve pagar a conta pelo ajuste.

Passadas as eleições, voltamos real situação do Brasil: depressão que abala a economia, o desemprego, os pacotes de medidas do governo Temer, ainda incapazes de qualquer resposta positiva à crise geral. Falta-lhe sustentação política, força social e condição moral para tais reformas. A onda de ocupações em todo o país acentua a complexidade da crise, revela a rebeldia social e popular, sugerindo que as incertezas e instabilidades não têm prazo final.

Como disse o jornalista Josias de Souza, “No desespero, um pedaço minoritário da sociedade acreditou que o país estivesse de volta aos trilhos”... “Houve mesmo quem enxergasse uma luz no fim do túnel... talvez seja a luz da locomotiva da Lava Jato vindo na contramão”.

Que as luzes do Natal nos iluminem nessa travessia! Um abençoado Natal a todos! Que em 2017 tenhamos menos prisões, delações, conchavos e mais união nacional para a reconstrução do Brasil que sonhamos!

Dezembro 2016

Maria Joana Titton Calderari - majocalderari@yahoo.com.br
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