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O olhar fixo em Jesus: A vocação da família

Estimados leitores, no mês anterior refletimos sobre a realidade e os desafios das famílias, destacando que a família possui um valor inestimável e que muitas vezes não tem sido compreendido, isso é consequência de uma sociedade que tem pregado o matrimônio e a concepção familiar como ultrapassados. Sendo assim, afirmamos ser necessário o esforço na apresentação de razões e motivos para que haja compreensão e busca generosa pelo matrimônio e pela família (AL, n. 35). Prosseguimos neste mês, refletindo sobre o olhar fixo em Jesus: A vocação da família, tema este, apresentado pelo Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal: Amoris Laetitia (A Alegria do Amor) sobre o amor na família.

Segundo o Papa Francisco, “diante das famílias e no meio delas, deve ressoar sempre de novo o primeiro anúncio, que é o mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário” (EG, n. 35). Esse primeiro anúncio, sendo “o mais necessário”, deve levar as famílias ao encontro pessoal com Jesus Cristo, possibilitando a compreensão necessária para responderem prontamente ao questionamento do Senhor: “Quem dizeis que Eu sou?” (Mt 16,15; Mc 8,29; Lc 9,20). Deste modo, as famílias devem ter uma abertura de coração, para que, inspirados à luz deste anúncio de amor infinito, sejam iluminados pelo Espírito Santo (AL, n. 59).

São Paulo, em sua carta aos Coríntios, apresenta o matrimônio como “um dom do Senhor” (1Cor 7,7). Desta maneira, o papa acentua que Deus faz um chamado e o casal responde com amor e sinceridade. Havendo, pois, o desejo de união, o casal irá formar uma família, ao qual competirá grande responsabilidade, visto que, ambos têm a “obrigação” de cuidar desse dom, fazendo com que o matrimônio seja acolhido, amado e honrado, uma vez que “[...] a família e o matrimônio foram redimidos por Cristo (Ef 5,21-32), restaurados à imagem da Santíssima Trindade, mistério de onde brota todo o amor verdadeiro” (AL, n. 63). Com isso, se há acolhimento sincero deste dom, a família, sem dúvida, “torna-se uma luz na escuridão do mundo” (AL, n. 66).

A constituição pastoral Gaudium et Spes, definiu o matrimônio como “comunidade de vida e amor”, colocando o amor no centro da família. Sendo assim, o amor vivenciado entre o casal implica doação de si mesmo, sinal de relação recíproca, visto que, esse é o desejo que corresponde ao desígnio divino. Quando há acolhimento sincero do matrimônio, Jesus Cristo “[...] vem ao encontro dos esposos cristãos [...] e permanece com eles” (GS, n. 48-49), pois, é dEle que o matrimônio e a família recebem a graça, para tornarem-se testemunhas da verdade (AL, n. 71.73).

As famílias não devem hesitar em invocar o Senhor para que derrame sua graça e sua bênção sobre suas vidas, livrando-as de todos os males, já que, receberam a graça do Espírito Santo que os encoraja ao diálogo com Deus. Deste modo, tenham a certeza de que “nunca estarão sós, com as suas próprias forças”, enfrentando os desafios que possam surgir (AL, n. 74). Uma vez que Deus não é distante, mas presente, caminha ao nosso lado e nos auxilia a superar as dificuldades. Isso só se compreende “fixando o olhar em Cristo” (AL, n. 77), tendo a certeza de Sua presença e ação no seio familiar, encontrando-a por meio da oração.

O Papa Francisco afirma que “[...] a família é o santuário da vida, o lugar onde a vida é gerada e cuidada” (AL, n. 83), sendo santuário da vida, as famílias devem fazer de tudo para a vida que nela é gerada seja esperada, acolhida, amada e respeitada, não havendo em hipótese alguma, motivos que levem a “fazer dela o lugar onde a vida é negada e destruída” (AL, n. 83). A família é chamada a proteger a vida em todas as suas fases, lutando contra todas as ações que pregam contra ela (AL, n. 83). No seio familiar, no que diz respeito ao cuidado com os filhos, os pais são vistos como “verdadeiros ministros educativos, pois, quando formam os seus filhos, edificam a Igreja e, fazendo-o, aceitam uma vocação que Deus lhes propõe” (AL, n. 85).

O papa conclui o terceiro capítulo de sua exortação afirmando que, “[...] em virtude do sacramento do matrimônio, cada família torna-se para todos os efeitos um bem para a Igreja”, ou seja, a família é um bem para a Igreja e a Igreja um bem para a família (AL, n. 87). Com isso, “o amor vivido nas famílias é uma força permanente para a vida da Igreja” (AL, n. 88). Por meio deste amor as famílias celebram os momentos de felicidade e colaboram entre si nos momentos difíceis, pois, creio ser necessário permanecerem com os olhos fixos em Jesus Cristo e nEle, verdadeiramente encontrarem a sua segurança (Sl 86,5).

No próximo mês meditaremos sobre: O Amor no Matrimônio, tendo em vista a caridade conjugal e o aperfeiçoamento do amor dos cônjuges.

Dezembro 2016

Seminarista Rodrigo Ferreira dos Santos - rodrigoferreira-2011@hotmail.com
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