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A formação sacerdotal a partir da Conferência de Puebla (México – 1979)

Estimados leitores, prosseguimos com a reflexão a respeito da formação sacerdotal a partir das conferências do episcopado latino-americano. No último artigo apresentamos as considerações da conferência de Medellín, acontecida em 1968, que buscou aplicar na Igreja da América as inspirações do Concílio Vaticano II, e no campo vocacional trilhar o caminho indicado pelo decreto conciliar Optatam Totius, a respeito da formação inicial ao sacerdócio.

Neste presente artigo trazemos uma reflexão sobre a formação sacerdotal a partir da conferência de Puebla de los Angeles, México, no ano de 1979. Após convocar a terceira conferência geral do episcopado latino-americano, o papa Paulo VI estabeleceu a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, do ano de 1975, sobre a evangelização, como conteúdo de referência principal para os trabalhos e reflexões dos bispos latino-americanos. Desta forma, cumpre notar que as considerações sobre a formação sacerdotal nasceriam também deste contexto de reflexão sobre a missão evangelizadora no presente e futuro da América Latina.

O tema da evangelização na América foi aprofundado pelos bispos a partir de um eixo transversal: o da comunhão e participação. Apontaram-se quem são os agentes promotores da evangelização e da comunhão e participação na vida da Igreja e da sociedade, destacando os bispos, sacerdotes, diáconos, leigos e consagrados. Os meios indicados para a promoção desta evangelização na comunhão e participação foram sobretudo as celebrações litúrgicas e a catequese, que visibilizam a ministerialidade da Igreja, mas também a educação, os meios de comunicação e diálogo, dentre outros.

Puebla, neste sentido, parte da consideração de que os sacerdotes são agentes de promoção do evangelho e da comunhão e participação. Diante da reafirmação da identidade do presbítero como anunciador do evangelho e responsável por reunir o povo de Deus em torno da Palavra e da Eucaristia, os bispos destacaram a necessidade de se implementar ainda mais a promoção vocacional, pois havia necessidade de mais sacerdotes diocesanos e religiosos. No entanto, o enfoque se deu não somente na necessidade de aumento das vocações, mas sobretudo nas características dos vocacionados. Os bispos pediam sacerdotes e religiosos sábios e santos para o ministério da Palavra e da Eucaristia, mas também para o apostolado social (DP, n. 7).Vê-se, portanto, já aqui a urgente necessidade de que os pastores, por sua atuação,consolidassem uma Igreja em saída missionária, não auto referencial, que têm sido insistência atual do pontificado do papa Francisco.

Em Puebla também foi constatado o fenômeno do crescimento demográfico que transbordava as possibilidades da Igreja para levar a todos o anúncio do Evangelho. Esta dificuldade se dava sobretudo pela falta de sacerdotes em número suficiente, bem como pela escassez de novas vocações sacerdotais e religiosas, tema que vinha se prolongando desde o Rio de Janeiro em 1955.Além do mais, acontecia uma onda de deserções sacerdotais por causa dá má compreensão da proposta da Teologia da Libertação, e a Igreja no continente não contava muito com a participação direta de leigos comprometidos e preparados nas funções eclesiais, sendo que alguns movimentos apostólicos tradicionais entravam em crise. Daí a necessidade de se promover a comunhão e participação na evangelização.

Essa triste realidade produzia ainda mais vazios na missão evangelizadora da Igreja na América, fazendo que aumentassem tanto o indiferentismo como a ignorância religiosa, em muito devido a falta de ministros da Palavra que nutrissem o povo com o Evangelho, a falta de uma catequese sólida que alcançasse toda a vida, e a falta de unidade de trabalho que envolvessem os leigos na missão da Igreja (DP, n. 78). Diante desta realidade que apelava a uma resposta imediata e eficaz, os bispos no texto conclusivo da conferência orientaram que para formar presbíteros autenticamente evangelizadores e promotores da comunhão e participação, era preciso que os vocacionados, ao chegar ao seminário maior, tivessem uma sólida preparação humano-cristã e uma especial formação religiosa.

Se a Igreja necessitava de presbíteros promotores da comunhão e da participação, era, portanto, necessário que o seminário maior também fosse renovado, no sentido de estar mais inserido na vida da Igreja e do mundo, a fim de cumprir o objetivo de “acompanhar o pleno desenvolvimento da personalidade humana, espiritual e pastoral, isto é, integral dos futuros presbíteros (DP 875). Para Puebla esta formação integral pressupunha: adequada visão da realidade, profunda formação doutrinal, autêntica vida comunitária, espírito de austeridade e disciplina, boa direção espiritual, formação responsável para o celibato e uma integração na pastoral de conjunto (cf. DP 876-879).

Desde então as dioceses do continente, a partir das conferências episcopais, elaboram suas diretrizes de ação evangelizadora e de formação sacerdotal buscando envolver mais os vocacionados e os seminários nas diferentes atividades pastorais, valorizando sempre mais a vocação laical na missão de evangelizar, a fim que o corpo místico de Cristo manifeste sua força missionária em todos e cada um de seus membros unidos à cabeça que é Cristo.

Rezemos para que o Senhor continue nos enviando pastores comprometidos com a comunhão e a participação na pastoral da Igreja e no apostolado social.

Dezembro 2016

Pe. Willian Oliveira Lopes - wlopes_dcm@hotmail.com
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