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O tempo voa

O tempo parece estar voando... Ontem mesmo o papa proclamava o ano da Misericórdia e já estamos no seu final, no término do ano litúrgico, festa de Cristo Rei. Foi o papa Pio XI que iniciou esta solenidade em 1925, buscando recordar a todos os homens, reinados, governos e instituições, o senhorio de Jesus sobre todos, em uma resposta à crescente laicidade da época, que pregava a neutralidade do Estado em assuntos religiosos.

Desde então e cada vez mais, os laicistas defendem que sendo a religião um assunto de esfera privada, não pode respaldar os debates públicos, sobretudo no que diz respeito à moral e a dignidade humana. Questões sobre temas como aborto, eutanásia, casamento gay, etc. não devem levar em conta a moral cristã dizem os laicistas. Defendem a neutralidade do Estado, renegam a lei natural de Deus e assumem o principio da maioria como juízo universal dos costumes.

Essa confusão entre o que é de Cesar e o que é de Deus remonta aos tempos de Cristo e rendeu muitas perseguições aos cristãos que se recusavam a prestar culto à pessoa do imperador (assumia o lugar de Deus), e serem instrumentalizados pelos políticos e autoridades nesses dois mil anos de história.

Em 1958 o papa Pio XII esclareceu que “a legítima e sadia laicidade do Estado” é “um dos princípios da doutrina católica”, mas que o Estado não está isento de suas obrigações para com Deus quando se trata da lei natural. A Gaudium et Spes, do Vaticano II, reconhece que a sociedade tem leis e valores próprios, mas serão falsos se entenderem que “as criaturas não dependem de Deus e que o homem pode usar delas sem as ordenar ao Criador”.

Ao contrário de governos que assumiram o lugar de Deus, se tornaram ditadores e exploradores do povo, o reinado de Cristo se apresentou sempre como forma de serviço, dando-se inteiramente até as últimas consequências, reinando do alto da Cruz, libertando a humanidade pelo seu sacrifício. Realmente, reis e rainhas, riquezas, palácios, criadagem e exércitos não são elementos que servem para exaltar e identificar Jesus. Ele está na outra margem, é a antítese da realeza, da riqueza e do poder.

Jesus foi apresentado como Rei, durante sua vida, em apenas dois momentos: ao entrar em Jerusalém como um Rei pobre, montado em um jumento emprestado e ao ser humilhado na Paixão, revestido com manto de púrpura-gozação e capacete de espinhos. Rei ao morrer despido e com o peito traspassado na cruz. Rei da paz e Rei do amor sem limite até a morte. A realeza de Jesus é a realeza da misericórdia de Deus por toda a humanidade e por toda a criação.

Esta é a realeza de Deus que temos que celebrar nesta festa da misericórdia. Do alto da cruz Jesus reina soberano, vencendo o mal, o pecado, a morte poder-dominação, opressor, criador de desigualdades e exclusões, espalhador de sofrimento por todos os lados. E nEle que temos que buscar a Esperança de que, apesar de todas as aparentes vitórias do mal, o Bem vencerá; a morte e a destruição serão derrotadas pela Vida eterna.

Nestes 127 anos de República no Brasil, muitos governantes se utilizaram do nome de Deus para se eleger, mas esqueceram de seguir o exemplo dEle. A coisa “res” pública foi usada para lhes dar poder, riqueza, realeza e nunca para servir o povo. Que Deus possa iluminar suas consciências e uma verdadeira democracia seja construída nesta terra ”abençoada por Deus e bonita por natureza”. A vitória dos votos brancos, nulos e o não comparecimento dos eleitores revelam o descrédito e a desesperança dos brasileiros com política nacional. Que o Deus da Misericórdia ilumine e una os brasileiros nessa difícil travessia!

Novembro de 2016

Maria Joana Titton Calderari - majocalderari@yahoo.com.br
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