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Datas que fazem olhar além das nuvens

No dia primeiro de novembro celebramos a solenidade de Todos os Santos. Isso vem despertar nossa reflexão para a importância da Igreja enquanto ambiente vital da santidade cristã. Ser santo é a meta primeira de todo batizado. Com efeito, o batismo nos envolve com a veste da santidade. São Paulo, ao referir-se em suas cartas aos destinatários cristãos, não hesita em denominá-los “santos”. Conforme lemos na saudação da Segunda Carta aos Coríntios: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto, e a todos os irmãos santos que estão em toda a Acaia” (2Cor 1,1).

Na mentalidade do cristianismo mais antigo o Batismo, sacramento da iniciação cristã, introduz a pessoa na dinâmica da novidade anunciada pelo Mistério Pascal de Jesus Cristo. Nesta perspectiva, ser santo é viver a fé batismal de forma autêntica e sincera. Sob tal ótica a santidade não se apresenta como realidade distante de nós e de nossas possibilidades humanas. Ao contrário, interpretada em chave batismal, o dom da santidade aparece como confirmação da plena adesão humana ao amor, e ao projeto salvífico-redentor do Pai manifestado em Cristo, na força do Espírito Santo.

Celebrar a Solenidade de todos os Santos equivale a professar a fé no Mistério da Redenção. Santo é aquele que abraça a salvação oferecida por Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Se assim é, quando fazemos valer nossa vocação à santidade estamos afirmando, no silêncio da consciência e da conduta: naquele que nos amou, Cristo, somos mais que vencedores (cf. Rm 8,37). Além disso, ao comemorarmos a virtude da santidade de inumeráveis homens e mulheres que nos precederam na fé, reconhecemos, igualmente, a constante jovialidade da mensagem cristã.

Olhando para todos os Santos nos conscientizamos da pluralidade dos meios pelos quais podemos alcançar a Deus. Essa verdade está registrada no Apocalipse da seguinte forma: “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: ‘A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro’” (Ap 7,9-10). A incontável multidão dos redimidos personifica o alcance infinito da santidade enquanto participação na salvação oferecida por Deus. Ciente disso a Igreja não se cansa de canonizar os seus filhos, cujo testemunho de fé e caridade mostrou-se heroico ao mundo.

No entendimento cristão a santidade é também mistério de comunhão. Sendo assim, após celebrar todos os Santos recordamos os fiéis defuntos, no dia 2 de novembro. Recordamos os falecidos em atitude religiosa e cristã, contemplando na morte a certeza da ressurreição que tem Cristo por primícia. Celebrar finados é deixar-se embalar pela esperança que não decepciona (cf. Rm 5,5). É converter a saudade em certeza de felicidade eterna na presença de Deus. É manter viva a memória dos antepassados, buscando imitar suas virtudes e evitar suas fragilidades. Como pôr em prática tão saudável compreensão da vida e da morte? Crendo verdadeiramente na palavra de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11,25).

Todos os Santos e Finados são datas que nos chamam a olhar para o céu e descobrir o que há por “detrás das nuvens”.

Novembro de 2016

Pe. Alfredo Rafael Belinato Barreto
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