REDES SOCIAIS
BUSCA DE NOTÍCIAS
Carregando
ARTIGOS
Santa Missa passo a passo: Oração da coleta

“O Sacerdote convida o povo a rezar, todos se conservam em silêncio com o sacerdote por alguns instantes, tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando interiormente os seus pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que costumar chamar de coleta, pela qual exprime a índole da celebração” (IGMR, n.54).

Assim como vem expressa na citação acima da Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), percebemos um pouco do caráter espiritual da oração chamada coleta. Sendo assim, por meio deste artigo compreenderemos algumas dimensões estruturais, bem como, o que essa oração pode expressar na liturgia abrangendo aspectos essenciais da vida de fé do povo.

Toda a celebração eucarística é uma grande oração da Igreja, “com Cristo, por Cristo e em Cristo”, dirigida a Deus Pai, em união com o Espírito Santo. Assim sendo, a celebração possui três orações denominadas presidenciais, uma vez que, segundo a IGMR, n.30, “o sacerdote presidindo a comunidade como representante de Cristo, dirige a Deus estas orações em nome de todo o povo santo e de todos os circunstantes”.

Essas orações são: sobre as oferendas, que diferentemente da coleta, não expressa o tempo litúrgico celebrado, concentrando-se no tema da oferta – somente nas festas de santos que se faz alusão à sua intercessão. A oração depois da comunhão, é necessariamente a oração pelo qual se agradece a Deus os frutos da celebração eucarística. E a seguir o objeto maior da nossa reflexão a – oração da coleta.

Primeiramente vamos resgatar a sua etimologia. Coleta é uma palavra da língua latina (“collecta” – “colligere”, significa “colher”, “recolher”). Na liturgia tem o significado de recolher a oração do povo realizada em silêncio, momento este, em que somos convidados a entrar em sintonia com Deus. O silêncio motivado deve criar no ambiente celebrativo, uma harmonia, que conduz ao rompimento com a indiferença e a rotina. Com isso, devemos “dar conta” de que estando na presença de Deus, é o tempo propício para superar as tentações e adversidades que nos dispersam de Deus.

De acordo com Frei Turra, “a cada oração que somos convidados, pelo OREMOS, somos despertados como Jacó daquele sonho descrito em Gn 28,10-22, onde confessa a sua sinceridade de fé: De fato, o Senhor está neste lugar, e eu não sabia disso”. E esse despertar é dado a nós por meio deste momento ritual, ao qual, é o fechamento dos ritos introdutórios, seguido da abertura à Palavra de Deus, ou seja, somos estimulados à escuta atenta da Palavra, bem como, celebrar a Eucaristia, que vem expressado nesta oração no seu caráter de festividade.

Após essa reflexão, faz-se necessário apresentar a estrutura da Oração, visto que, muitas vezes na celebração não percebemos que ela é dotada de um grande sentido espiritual. A estrutura interna, de maneira geral, nas orações da Igreja, se dá pelos seguintes elementos: Invocação: chamada pelo nome + seus atributos; memória (anamnese): recordar algo que Deus fez ou faz; pedido: já que Deus é assim e faz tudo isso, então nos sentimos na confiança de pedir. E pedimos; Conclusão: Como reforço do sentido e valor do pedido feito. Esta é a estrutura comum da oração. Desta maneira, vejamos sua aplicação no texto eucológico.

Apresento a oração do XXXIV (34º) Domingo do Tempo Comum, dia em que se celebra a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, e também, conclusão do ano litúrgico (Ano C):

Invocação: Deus eterno e todo-poderoso,

Memorial (anamnese): que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do Universo,

Pedido: fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo a vossa majestade, vos glorifiquem eternamente.

Conclusão: Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Por fim, intermediados por essas orações percebemos que a celebração Eucarística abrange toda a nossa vida. Uma missa bem celebrada transforma-nos, e assim, somos inseridos numa “escola de santos”, que buscam cotidianamente a conversão em Deus por meio dos sacramentos e da vida de oração. A oração renova o nosso ser e nos possibilita a plena comunhão com Deus, sendo Sua imagem e semelhança.

Novembro de 2016

Seminarista Wesley de Almeida dos Santos - wesley-almeidacm@hotmail.com
DIREITOS RESERVADOS - DIOCESE DE CAMPO MOURÃO - 2012
DESENVOLVIDO POR: