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A formação sacerdotal a partir da Conferência de Medellín (Colômbia – 1968)

Continuando com a reflexão a respeito da formação inicial ao sacerdócio ministerial a partir das conferências do episcopado latino-americano, o presente artigo traz o conteúdo fundamental da conferência de Medellín sobre o referido tema. Esta foi a segunda conferência, acontecida em 1968 na Colômbia, 13 anos após a do Rio de Janeiro, que havia tratado sobretudo da exigência de uma promoção vocacional ao sacerdócio.

Tendo presente o sentimento de renovação eclesial trazido pelo Concílio Vaticano II, acontecido entre 1962 e 1965, entende-se que a conferência de Medellín assumiu como principal proposta a aplicação do concílio à realidade da América Latina. No que se refere à formação sacerdotal, o concílio, através do Decreto Optatam Totius, já havia indicado o caminho a ser trilhado: estabelecer normas de formação em cada nação, organizar os seminários maiores, cultivar mais intensamente a formação espiritual e a revisão dos estudos eclesiásticos tendo como eixo integrador a dimensão pastoral.

Os bispos latino-americanos partiram então das propostas conciliares, e no campo vocacional constataram de imediato uma crise da juventude e da sociedade que se tornava presente no seminário. Era urgente situar a formação dentro de um contexto de discipulado, isto é, de um chamado e de uma resposta. Nas orientações sobre as dimensões formativas, destaca-se a formação espiritual para a capacidade de escuta da Palavra de Deus em uma dinâmica de serviço ao povo, na vivência dos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência, numa profunda experiência pessoal de amor a Jesus Cristo (cf. Medellín, 13, n. 4-7).

No que diz respeito à dimensão intelectual os bispos muito insistiram no estudo da realidade do continente, bem como na capacitação dos formadores e na firmeza doutrinal diante de uma realidade eclesial que começava a ser questionada por novidades até então não suficientemente claras e fundamentadas, como a Teologia da Libertação que floresceria com interpretação teológica equivocada, como se fosse possível colocar a questão das realidades oprimidas no lugar de Deus, numa dinâmica de instrumentalização sociológica e política da fé e da religião (cf. Medellín, n. 16-19). Em vista do aprimoramento dos formadores, diante dessa demanda, fortaleceu-se ainda mais a Organização dos Seminários Latino-americanos (OSLAM) que havia nascido com fruto da conferência do Rio de Janeiro.

Dentro da dimensão pastoral, sugeriu-se que os formandos fossem preparados para uma pastoral de conjunto, no acompanhamento das comunidades de base, na dinâmica dos grupos e no reto emprego de meios de comunicação. Orientou-se, além disso, que também os formadores tivessem uma experiência pastoral, não apenas em vista da formação dos seminaristas, mas também para o exercício do ministério que está em essência orientado para a atuação junto ao povo de Deus. Na diocese de Campo Mourão, sem deixar de privilegiar a presença no seminário, os formadores possuem paróquias de referência para exercerem seu ministério e onde podem acompanhar a formação dos seminaristas nesta referida dimensão.

Merece destaque a indicação que Medellín fez de que as atividades pastorais dos formandos acontecessem de forma gradual e prudente, conforme as etapas formativas, aproveitando também os períodos de férias para tal finalidade (cf. Medellín, 13, n. 20-22). A este respeito, em nossa Igreja diocesana, essa gradual e prudente formação pastoral se dá da seguinte maneira:

No seminário propedêutico o enfoque pastoral é dado ao conhecimento da história da diocese, com algumas atividades pontuais de visitas e observação. Na Filosofia o enfoque é mais humanístico, e a pastoral é vivida como uma inserção prática na vida de um povo, com visitas às famílias a partir da catequese ou outros grupos afins, nas paróquias de Maringá, Engenheiro Beltrão e Fênix. Na etapa teológica se busca uma atuação mais intensa, como uma experiência antecipada do ministério do bom pastor, planejando e executando de modo participativo a pastoral nas paróquias de Cambé e Ivailândia. Nos períodos de recesso acadêmico os seminaristas desenvolvem, nos meses de julho e dezembro, uma semana missionária, no intuito de conhecerem melhor a realidade diocesana e exercitarem sua disposição em servir a Igreja de acordo com as suas necessidades e urgências.

Na próxima edição do Jornal Servindo veremos o que a conferência de Puebla (México-1979) refletiu e orientou a respeito da formação sacerdotal na realidade da América Latina. Rezemos pelo despertar de vocações sacerdotais e religiosas em nossa Igreja diocesana, pela perseverança dos seminaristas e pela santificação dos sacerdotes e consagrados.

Novembro de 2016

Pe. Willian Oliveira Lopes - wlopes_dcm@hotmail.com
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