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A formação sacerdotal a partir das conferências do episcopado l. americano

Caros leitores do Jornal Servindo, após termos refletido sobre as dimensões fundamentais da formação inicial ao sacerdócio a partir dos decretos do Concílio Vaticano II e da exortação apostólica Pastores Dabo Vobis, damos início ao um ciclo de reflexões a respeito do enfoque que as conferências do episcopado latino americano dão à formação dos presbíteros em nosso continente. Começamos pela primeira delas, acontecida no Rio de Janeiro, em 1955.

A atenção dos bispos da América Latina durante esta primeira conferência recaiu sobre a questão da escassez de vocações. Declarou-se a urgência de se promover nas dioceses uma séria campanha em favor das vocações sacerdotais, cuja finalidade era “satisfazer com número adequado de sacerdotes virtuosos e apostólicos as crescentes necessidades espirituais e morais dos povos da América Latina” (cf. Rio, n.1). Os bispos tomaram o cuidado de indicar meios e lugares concretos onde deveria ser promovida esta campanha vocacional. No pequeno documento conclusivo, se encontra a sugestão de intensificação de orações pessoais e comunitárias em favor das vocações, bem como o acompanhamento das famílias promovendo nelas a vida e espiritualidade cristã, uma vez que são o espaço privilegiado onde se despertam as diferentes vocações.

Também se orientou que nas paróquias fossem criadas uma ‘Obra de Vocações’, bem como a criação de pequenos grupos de acólitos cuidadosamente formados e atendidos com instrução religiosa onde se pudesse lançar a semente da vocação. Vemos, portanto, os primeiros indícios de um florescimento da pastoral vocacional na Igreja do continente e do crescente grupo de acólitos, cujo objetivo principal era – e ainda deve ser, apesar de não o único - despertar o interesse pelo ministério sacerdotal e as diferentes vocações através do auxílio litúrgico e de uma oportuna formação catequética.

Umas das iniciativas propostas na conferência do Rio de Janeiro foi a de se estabelecer um chamado “Dia do Seminário” dentro das celebrações diocesanas. A diocese de Campo Mourão celebra este dia em 16 de setembro, na memória da grande benfeitora dos seminários Carmen Santina de Pauli, irmã do segundo bispo diocesano, dom Virgílio de Pauli. Além disso, o episcopado latino-americano indicou as escolas, associações juvenis e ambientes universitários como espaços de promoção vocacional, o que impelia a Igreja a aproximar-se ainda mais destes contextos, necessidade esta que continua muito atual e urgente em nossa época.

Quando tocam no tema da formação sacerdotal, os bispos afirmam que este deve ser considerado o seu “dever apostólico mais transcendente” (cf. Rio, n. 8). Com efeito, estar próximo ao clero e promover as vocações sacerdotais em vista de apascentar o povo de Deus é a missão principal do bispo dentro da dinâmica do governar, santificar e ensinar. Nesse sentido se propôs a criação de uma Conferência Latino-americana de Seminários que, no ano de 1958 se concretizou na Organização dos Seminários Latino-americanos (OSLAM). Esta organização, nas palavras da conferência, deveria “promover reuniões periódicas, principalmente com reitores e diretores espirituais, alcançando unidade na formação sacerdotal e ser um meio eficaz para intercâmbio de experiências e impressões a respeito dos planos de estudo, métodos de ensino, problemas espirituais e pedagógicos, etc”. (cf. Rio, n. 10). De fato, esta instituição ainda hoje favorece a unidade do episcopado e o trabalho dos formadores em benefício das vocações e do povo de Deus que é apascentado pelos presbíteros, colabores diretos do bispo.

A conferência trata ainda da formação interna nos seminários, insistindo que esta deve ter enfoque espiritual, humano e cultural, com vistas à “imitação de Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote” (cf. Rio, n. 14). Orienta-se que a dimensão espiritual seja sólida, distante de qualquer misticismo perigoso e falso, inculcando a convicção de que o próprio ministério pastoral é fonte de perfeição e santificação. Para isso um meio concreto apresentado é o estudo e o conhecimento da vida de sacerdotes do clero secular que tenham alcançado a santidade, cujos exemplos devem ser divulgados e imitados no seguimento de Jesus (cf. Rio, n. 12-15).

Por fim, é necessário reconhecer que o documento do Rio de Janeiro não teve muita difusão e aplicação. Em muito isso se deve à eleição do Papa João XXIII que em poucos meses convocou o Vaticano II, e com isso as atenções recaíram sobre este evento tão importante que trouxe novos ares para a doutrina e a pastoral da Igreja inserida no mundo. Em 1959, o mesmo Pontífice publicou a Encíclica Sacerdotii nostri promordia, sobre a ascética sacerdotal, a oração, o culto eucarístico e o zelo pastoral, na ocasião do centenário de São João Maria Vianey. No entanto, ao contrário de prejudicar, o Concílio ajudou a promover universalmente na Igreja aquelas inspirações sentidas pelo episcopado da América-latina.

Na próxima edição conheceremos mais a respeito da formação sacerdotal na Conferência de Medellín-Colômbia (1968). Rezemos ao Senhor da Messe, para que envie mais operários à sua vinha.

Outubro de 2016

Pe. Willian Oliveira Lopes - wlopes_dcm@hotmail.com
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