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Verbum Domini: Convite ao olhar atento à Palavra de Deus

“A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”. Esta asserção de São Jerônimo ao comentar o livro do profeta Ezequiel é de capital importância ao cultivo da espiritualidade bíblica cristã. Seu significado resplandece no Brasil com eloquência ainda maior neste mês de setembro, tradicional e pastoralmente dedicado à Bíblia. Com efeito, de forma breve e objetiva, o venerável Doutor da Igreja nos ensina que na Escritura tudo se refere a Cristo e é dependente d’Ele. Com certeza, é sob o prisma da centralidade de Cristo que deve ser lida e interpretada a exortação apostólica do Santo Padre Bento XVI “sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, intitulada “Verbum Domini” (Palavra do Senhor).

Este documento é fruto da reunião (sínodo) dos Bispos ocorrida no Vaticano entre os dias 5-28 de outubro de 2008, cujo objetivo foi refletir e apontar perspectivas pastorais no que tange à presença da Palavra de Deus na vida das comunidades cristãs. Assim sendo, é importante que os católicos conheçam ao menos esquematicamente esta preciosa reflexão dos pastores da Igreja em conformidade com toda a Tradição eclesial. O documento está dividido em três partes. Em primeiro lugar o Papa reflete acerca da “Palavra de Deus” como diálogo sincero entre Deus e o homem; citando Orígenes (+254) diz que em Jesus Cristo “a palavra de divina abreviou-se”. “A Palavra eterna fez-se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós” (VD 12).

Em segundo momento, Bento XVI medita sobre a “Palavra de Deus e a Igreja”, insistindo que na Igreja se encontra o lugar privilegiado da escuta, meditação e interpretação da Escritura. Nesse sentido, atenção particular merece a liturgia, pois o Papa afirma que nela se vê a “sábia pedagogia da Igreja que proclama e escuta a Sagrada Escritura seguindo o ritmo do ano litúrgico” (VD 52). Por fim, na terceira parte a reflexão versa sobre a “Palavra no mundo”, cuja ideia central consiste na consciência que a Igreja possui de sua natureza missionária. O Santo Padre relembra com veemência aos cristãos que “toda a Igreja, enquanto mistério de comunhão, é missionária e cada um, no seu próprio estado de vida, é chamado a dar uma contribuição incisiva para o anúncio cristão” (VD 94).

Com certeza, este documento é de primeira grandeza ao incremento do conhecimento e do amor à Palavra de Deus. Neste sentido, emerge o testemunho de São Jerônimo, cuja memória litúrgica celebramos em 30 de setembro. Ele foi um monge e presbítero que dedicou a vida ao conhecimento e estudo da Sagrada Escritura. Foi ele, que a pedido do Papa Dâmaso (+384), revisou as traduções latinas da Bíblia e compôs a versão conhecida por “vulgata”, utilizada durante toda a história da Igreja. Escreveu inúmeras obras exegéticas e comentários aos livros sagrados. Morreu em Belém no ano 420 e foi proclamado Doutor da Igreja por Bonifácio VIII em 1298. Papa Bento XV lhe concedeu o título de “Doutor máximo na explicação das Sagradas Escrituras”. Sejamos também nós discípulos fiéis, formados pela Palavra de Deus!

Pe. Alfredo Rafael Belinato Barreto
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