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Virgílio de Pauli, O bispo da bondade

Em 2016 o dia 19 de julho nos remete à posse canônica de Dom Virgílio de Pauli, celebrada há 35 anos. Numa gélida manhã, aclamado pela multidão aglomerada no adro da Catedral São José, Dom Virgílio iniciou seu apostolado nas terras mourãoenses, sobre o alicerce plantado por Dom Eliseu Simões Mendes. Apostolado que haveria de se prolongar até sua morte, ocorrida a 21 de fevereiro de 1999. Logo ao ser nomeado Bispo de Campo Mourão, Dom Virgílio enviou mensagem aos diocesanos, chamando-a “Pastoral de Saudação”. Trata-se do primeiro pronunciamento ao povo que haveria de se converter em seu rebanho e sua família. Eis o que nela disse:

“Tudo são manifestações do amor de Deus. Assim, a primeiro de maio, festa de São José Operário, dava o meu “sim” à Igreja para ser vosso Pastor, e grata alegria tive ao saber que Campo Mourão está sob a proteção do glorioso Patriarca São José. Igualmente, gesto delicado de Nossa Senhora para comigo é fazer com que minha escolha ocorresse em maio, mês consagrado a ela. Ao assumir no próximo 19 de julho esta missão entre vós, quero ser “o mais irmão entre os irmãos”.

Um verdadeiro pai, irmão e amigo para todos, especialmente para com os meus colaboradores diretos, os estimados presbíteros. De coração estarei ininterruptamente ligado aos religiosos e religiosas, pois reputo que, depois do martírio, não existe maior carisma que a vida religiosa. Dou meu abraço de solidariedade, de estima e de apoio a todos e a cada um em particular, grandes ou pequenos, ricos ou pobres, católicos ou não católicos.

Não posso, entretanto, deixar de dizer, e nisso Deus me é testemunha, que o meu sacrifício é grande ao deixar o bom povo de São Carlos, depois de um convívio fraterno de vinte e três anos. A esses queridos e inesquecíveis fiéis sancarlenses, minha perene gratidão e imorredoura saudade. Nem a distância, nem o tempo jamais conseguirão fazer-me esquecê-los. De bom grado levá-los-ei para sempre em meu coração. Todavia, Deus me é testemunha, também, que vou para junto de vós bastante contente e com uma entrega e disponibilidade absolutas. Sem ainda conhecer a todos, já vos amo como a filhos e irmãos e vou compartilhar de vossas alegrias e tristezas, de vossas esperanças e angústias. Espero ser tudo para todos (Omnibus omnia) e para cada um em particular.

O lema do meu brasão de armas “Dives in Misericordia” lembra a Encíclica de João Paulo II sobre a misericórdia divina. Desejo, realmente, impregnar meu episcopado de misericórdia, consoante o apelo de Nosso Senhor: “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). Friso, ainda, que o Mistério Pascal, centro do centro do centro do cristianismo, é o ponto culminante da atuação da misericórdia de Deus. Além do mais, o Papa aponta para todos nós a figura de Maria como a criatura que mais experimentou a misericórdia divina e que mais contribuiu para revelá-la, quando profetizou que sua misericórdia se estenderia de geração em geração (Lc 1,50).

Juntos, com a graça de Deus, haveremos de constituir uma comunidade impregnada eminentemente de amor e da unidade na dimensão da cruz, sinais da fé que a Igreja tem a vocação e a missão de dar ao mundo. A vós, enfim, todo o afeto, amizade e a minha vida, com minha bênção fraterna e cordial”.

Comemorando o 35º aniversário de sua posse episcopal, a Diocese oferece ao público o livro intitulado Virgílio de Pauli, o Bispo da bondade. A obra em 365 páginas, consiste no primeiro volume da biografia de Dom Virgílio, retratando o arco temporal que se estende desde suas raízes familiares, até a posse canônica em Campo Mourão. O segundo volume, a ser posteriormente lançado, versará sobre seu ministério pastoral na Diocese de Campo Mourão. O título da obra foi dado por Dom Pedro Fedalto, Arcebispo Emérito de Curitiba. Certa vez pedi a ele que definisse Dom Virgílio em uma palavra. Ao que ele respondeu: “Dom Virgílio foi o Bispo da bondade. Se o Paraná possuiu um Bispo bom, esse foi Dom Virgílio de Pauli”.

Pe. Alfredo Rafael Belinato Barreto
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