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Novamente o papiro da “mulher de Jesus” - Junho de 2014

A imprensa noticiou no mês de abril (11/04/14) o resultado da investigação sobre o chamado papiro da “mulher de Jesus”. Este papiro foi descoberto em 2003 e tem o tamanho aproximado de um cartão bancário. Contém oito linhas escritas em copta, um idioma egípcio, descendente da língua falada pelos faraós. Na ocasião, escrevi sobre ele para o Servindo.

Ele é chamado assim, papiro da “mulher de Jesus”, porque entre o que os especialistas conseguiram traduzir conteria as seguintes afirmações: linha 4: “Jesus disse a eles: Minha mulher”; linha 5: “ela conseguirá ser minha discípula”; linha 7: “quanto a mim, habito com ela para que”. Não é muito, contudo, já é o suficiente para inflamar a discussão sobre um possível matrimônio de Jesus com Maria Madalena. Algo que não encontramos nos textos canônicos do Novo Testamento.

Pois bem, após anos de estudos, a equipe responsável pela análise do papiro, da Escola de Teologia de Harvard, liderado pela pesquisadora Karen King, declarou que o papiro é autêntico e que a datação pelo método do carbono 14 (utilizado para medir o tempo de qualquer objeto histórico) concluiu que ele é de algum momento entre os séculos VI e IX.

É preciso ter cuidado, algo que a impressa televisiva não teve, pelo menos aquelas que pude acompanhar, porque afirmar a autenticidade quer dizer apenas que ele não é uma falsificação, algo que aconteceu com certa frequência, sobretudo no século passado. Muitos documentos foram falsificados para parecerem antigos e comercializados como raridades. Afirmar sua autenticidade, não significa confirmar a veracidade do que nele está escrito. A própria escrita tem uma série de problemas: a caligrafia é estranha, com esquisitos erros de gramática e as palavras “minha mulher” parecem escritas em negrito, o que põe em questão o próprio conteúdo. O fato de ser um fragmento, contendo poucas linhas e incompletas, não permite uma análise mais profunda. Desconhecemos o contexto onde essas frases estavam inseridas.

Por fim, é um texto tardio, como o carbono 14 comprovou, ao menos 600 anos depois da vida de Jesus. Por que um texto assim teria mais autoridade que os textos que se seguiram à crucificação de Jesus?(no caso, os evangelhos canônicos, bem como os textos apócrifos). Fosse Jesus casado com Maria Madalena, como todosos textos que temos do primeiro século teriam omitido esse fato? E por quê? Na verdade, textos como este do papiro, possuem mais uma intenção teológica do que histórica. Afirmam algo que a comunidade que escreve está vivendo em relação a sua fé, muito mais do que nos dar informações sobre fatos históricos. Os evangelhos canônicos também são redigidos a partir de uma clara intenção teológica, mas por causa da proximidade temporal dos fatos, não podem manipulá-los tão facilmente. E, ainda que fosse verdade seu conteúdo, nossa fé em nada teria que mudar. Jesus nunca foi contrário ao matrimônio e, se ele próprio fosse casado, em nada mudaria sua missão redentora para nós.

Pe. Luiz Antônio Belini - labelini2016@gmail.com
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