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Papa Francisco e o Banco do Vaticano

Nos últimos meses do pontificado de Bento XVI uma série de escândalos envolvendo questões econômicas agravaram a imagem do Vaticano, já bastante deteriorada. Culminou com o furto de documentos sigilosos dos aposentos do papa pelo seu mordomo e posteriormente publicados. No centro desses fatos estava o IOR (Istituto per le Opere di Religione), isto é, Instituto para as Obras de Religião, mais conhecido como “Banco do Vaticano”. Este Banco foi criado pelo papa Pio XII, em 27 de junho de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. Na verdade, fez parte de uma reestruturação, absorvendo outros organismos que tinham sua origem na organização dada pelo papa Leão XIII, o papa que “abriu” a Igreja para as questões sociais. É bom lembrar, no entanto, que o Banco do Vaticano, se comparado com o nosso sistema bancário, é “quase” uma agência, contando, em 2013, com apenas 114 empregados.

O Vaticano é um Estado independente, autônomo e soberano desde o Tratado de Latrão, de 1929, estabelecido entre a Igreja Católica e o Estado Italiano. Como tal, tem todo o direito de organizar sua vida econômica, inclusive com um Banco próprio, embora não use moeda própria, e sim, o Euro. O Vaticano não é o único nesta situação, não obstante seja o mais conhecido. Poderíamos lembrar dentro da própria Itália, San Marino (quase 13 vezes menor que o município de Campo Mourão), tendo sido Estado Pontifício, atualmente é um país independente. Fora da Itália, temos Mônaco ou Principado de Mônaco, sul da França, com quase 2 km quadrados. Em tamanho, Mônaco só ganha do Vaticano. São resultados da aventura da história!

Quando o papa Francisco foi eleito, ao que tudo indica, estava plenamente ciente dos desafios que iria encontrar. Um estudo foi preparado e apresentado aos cardeais sobre essas questões antes do conclave. Havia uma necessidade imperante de reformas. Em relação ao Banco, o problema básico é que ele não foi integrado ao sistema bancário da Comunidade Europeia ou Zona do Euro. Podemos imaginar o incômodo que é ter um Banco autônomo, num país autônomo, dentro desta Comunidade. Se juntarmos isso à recente pesquisa que revelou que a corrupção no interior dessa Comunidade foi igual ao seu orçamento, poderemos compreender melhor a situação. Por tudo isso, o Banco do Vaticano tem sido constantemente acusado de ter servido à lavagem de dinheiro, sonegação, entre outros problemas.

Em resposta, o papa disse que se fosse o caso, extinguiria o Banco. Se ele não cumprir sua missão, que é sustentar e agilizar a Evangelização, naquilo que se refere à questão econômica, não tem porque existir. Criou o Conselho Vaticano para a Economia e, em 8 de março último, nomeou 15 membros que irão compô-lo. Entre estes,7 são leigos, respeitados economistas e administradores. Irão conduzir as reformas necessárias e fiscalizar seu funcionamento. O que se espera, antes de tudo, é transparência!

Estando comemorando o jubileu de ouro do Concílio Vaticano II (1963 – 1965), não posso deixar de lembrar que a estrutura proposta à Igreja por ele, previa uma organização sempre colegiada, com muitos conselhos integrados por clérigos e leigos, desde as paróquias (CEPs) até as dioceses (CDAEs). Quanto mais colegiada e transparente for a administração, mais chances terá de realizar sua missão com coerência e seriedade.

Pe. Luiz Antônio Belini - labelini2016@gmail.com
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